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A ressignificação da imagem feminina NO BREGA

O brega passou por uma reformulação nos últimos anos. Cantoras, dançarinas e empresárias subverteram a ideia de dominação masculina e passaram a criar um conteúdo inovador que gera identificação entre as mulheres, lota casas noturnas e movimenta a economia local.

 

Dentre os principais nomes do cenário, entre as mulheres, estão Michelle Melo, Priscilla Sena (mais conhecida como Musa) e as Amigas do Brega (Eliza Mell, Dayanne Henrique, Dany Myler e Palas Pinho), cantoras que levam o ritmo atemporal às rádios e noites do Recife.

 

As ‘Damas do Brega’ vão muito além do palco. O estilo musical que se tornou estilo de vida gera renda, fama, fortunas e oportunidades para pessoas que vieram de origem humilde. Essas mulheres servem de inspiração diariamente, além de toda luta contra o machismo num ambiente tão dominado e voltado para as figuras masculinas, que antes costumavam apresentar as mulheres dentro de estereótipos de fragilidade ou vulgaridade.

 

A ascensão das mulheres dentro desse gênero tem início nos anos 90, quando o ritmo começa a ganhar referências do carimbó, tecnobrega, merengue e forró. Uma das pioneiras no estilo é a cantora Joelma com a banda Calypso, formada em 1999. Para além da miscelânea de ritmos, a cantora incorpora coreografias detalhadas e figurinos chamativos, uma espécie de resgate, mas também de ruptura, com o brega dos anos 70. A partir do sucesso, a banda passa a fazer morada no Recife e conquistar uma legião de fãs.

 

Ainda no final dos anos 90, a banda recifense Poligamia fez um convite à cantora Eliza Mell, na época com apenas 20 anos, para gravar “Ânsia”, um dos maiores sucessos do brega pernambucano. “Ânsia é uma música gravada há 20 anos e que ainda gera identificação entre as mulheres, elas se identificam com o trabalho das cantoras de brega e a mensagem passada”, pontua Eliza, que é considerada uma das pioneiras do brega recifense.

Nos anos 2000, bandas como  Banda Metade e Michelle Melo, a Banda Camelô, Ovelha Negra, Banda Carícias e a Nega do Babado começam a aparecer com frequência nas rádios e programas televisivos de emissoras locais. É interessante notar como esse sucesso conseguiu se sustentar até hoje. “Pra mim ainda é como no ínicio, não sinto como se o sucesso já tivesse chegado. A emoção ainda é a mesma”, garante Palas Pinho, vocalista da Banda Ovelha Negra e Amigas do Brega.

Como citado pelo professor Thiago Soares, o brega vive hoje ápice do movimento  brega-funk, uma vertente que aposta em batidas eletrônicas e referências do funk carioca. A dança também é característica marcante dessa expressão cultural. “É uma estética  masculinizada, existe a questão pélvica dos movimentos também, mas existem muitos grupos de passinho com mulheres ressignificando esses movimentos”, pontua Soares.

De fato, as letras de brega-funk costumam ter teor machista e falocêntrico, entretanto foi Paloma Roberta Silva Santos, uma adolescente de 15 anos, moradora de Jaboatão dos Guararapes,  que elevou o gênero ao cenário nacional da indústria fonográfica. Junto com suas melhores amigas, as gêmeas Mirella e Mariely Santos, Paloma gravou um vídeo caseiro que caiu nas graças do público de todo o País e marcou “Envolvimento” como Hit do carnaval de 2018. Nascia Mc Loma e as gêmeas Lacração.

Confira nossa Playlist com os sucessos femininos do Brega Pernambucano: 

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